Ano
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Fato relacionado ao idioma Guarani
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| 3000 a.C. |
O grupo Tupi-Guarani está se estabelecendo no centro de América do Sul,
acredita-se proveniente da América Central, tendo uma linguagem em desenvolvimento,
majoritariamente monossilábica e gutural.
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| 2000 a.C. |
É provável que pequenos grupos indígenas desagregam e isolam-se, para depois formar
o que no futuro longínquo seriam conhecidos como outros troncos lingüísticos menores.
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| 1000 a.C. |
Os Tupi-Guarani têm conseguido melhorar notavelmente a sua linguagem primigênia
convertendo-a em uma concisa e precisa língua com a qual se comunicavam, com muitos
sons guturais e onomatopaicos.
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| 500 a.C. |
Por alguma razão desconhecida, o grupo inicial começa a se dividir em dois,
os Tupi e os Guarani, perdendo comunicação um com o outro. Os Tupi vão migrando
para o norte e leste, enquanto que os Guarani vão para o oeste e o sul-oeste.
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| 200 a.C. |
Um grupo dos Tupi vai chegando à costa atlântica, sudeste do que será o Brasil,
enquanto que outro se estabelece na Amazônia. Os Guarani, entretanto, expandem-se pela
bacia do Rio da Prata. Suas línguas começam a se diferenciar, embora com a mesma sintaxe.
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| 500 |
Vêm-se gerando vários dialetos das duas grandes línguas originais (Tupi e Guarani),
enriquecendo-se lexicamente cada qual a seu próprio modo, pela influência das línguas
locais de outros troncos lingüísticos.
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| 1000 |
A sintaxe das línguas derivadas do Tupi-Guarani segue e seguira mantendo-se quase
invariável, o que, somado à sua similitude fonológica, permitirá mais tarde a identificação
deste grupo como de origem comum.
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| 1492 |
Descobrimento da América e de seus habitantes, por parte dos europeus. |
| 1494 |
Assinatura do Tratado de Tordesilhas (delimitação das terras) entre a Espanha
e Portugal. Isto acentuará a divisão entre os Guarani e os Tupi.
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| 1500 |
Chega Pedro Álvares Cabral ao Brasil e toma posse da terra em nome de Dom
Manuel I, Rei de Portugal.
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| 1516 |
Juan Díaz de Solis, em busca dos tesouros do império Inca, descobre as costas
orientais da América do Sul, desembarca e se interna na selva, mas logo morre em
mãos dos indígenas.
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| 1524 |
Alejo García, sucessor de Solis, atravessa os rios Paraná e Paraguai, a caminho
do "El Dorado" e morre ao regressar.
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| 1527 |
Sebastián Gaboto funda o forte Sancti Spiritus no rio Paraná. |
| 1536 |
Pedro de Mendoza funda Buenos Aires, num ambiente muito hostil. |
| 1537 |
Juan de Salazar funda Assunção. É recebido pelos Cários, com submissa
hospitalidade. Inicia-se o cruzamento de raças.
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| 1541 |
Constrói-se o Cabildo de Asunción, estabelecendo-se ali o centro
de operações da Província do Rio da Prata. Ordena-se a evacuação de Buenos Aires.
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| 1553 |
Chegam os primeiros jesuítas ao Brasil. Estes missioneiros dedicam-se
imediatamente ao estudo do Tupi, liderados por José de Anchieta.
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| 1555 |
Chegam as primeiras 40 mulheres espanholas a Assunção, que daríam a luz
aos filhos de europeus nascidos na América, denominados localmente criollos.
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| 1556 |
Domingo Martínez de Irala introduz no Rio da Prata a Encomenda, um sistema de
distribuição de terras aos espanhóis e de escravidão dos indígenas.
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| 1560
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Várias cópias manuscritas de uns apontamentos de José de Anchieta, sobre
a gramática de la língua Tupi, circulam entre seus companheiros jesuítas,
que os lêem com avidez e os usam para o ensino.
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| 1575
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Chegam os franciscanos ao Rio da Prata, com intenção evangelizadora.
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| 1579
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Uma sublevação liderada pelo cacique Overa quem, com a eloqüência
da sua língua, organiza um grande movimento que permite aos Guarani
restabelecer seus costumes (bailes, rituais, etc.), que foram proibidas
pelos espanhóis.
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| 1583
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O Concílio de Lima recomenda a tradução do Catecismo para o guarani.
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| 1592
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Hernando Arias de Saavedra ("Hernandarias"), um criollo, é
nomeado Governador da "Província Gigante das Indias", como era
conhecida a Província do Rio da Prata, que é dependente do Vice-Reinado do
Peru.
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| 1595
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Anchieta publica Arte de grammatica da lingoa mais usada na costa do
Brasil. Esta língua é o Tupi que, nestas alturas do tempo, já é bem
diferente do Guarani.
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1598
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Primeira tradução para o guarani. Tratam-se das Ordenanças emitidas por
Hernandarias. Aparentemente, não ficaram rastos destes documentos.
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| 1603
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O Frei Luis de Bolaños traduz para o guarani o Catecismo breve para
rudos y ocupados, que, majoritariamente, será considerado como a
primeira escritura nesta língua. Além disso, deixa-nos alguns esboços da
sua gramática.
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| 1605
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É estabelecida a Ordem da Companhia de Jesus (conhecida também como A
Missão dos Jesuítas) na Província do Rio da Prata, para reforçar a tarefa
evangelizadora dos franciscanos, e para "alfabetizar e instruir" aos
indígenas, com a intenção de que sejam úteis, uma vez dominados. Mas os
jesuítas imediatamente interessaram-se pelo estudo da língua guarani, e
foram contrários a Encomienda no que diz respeito à exploração dos
indígenas.
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| 1610
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As Ordenanças de Alfaro estabelecem as Reduções no Rio da Prata, onde os
jesuítas pudessem trabalhar com os indígenas e lhes dar instrução,
liberando-os do serviço pessoal (semi-escravidão) da Encomenda.
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| 1617
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Felipe III, Rei de Espanha, decide dividir as terras a cargo de Assunção em duas
províncias para uma melhor administração, e manda repovoar Buenos Aires
como sede da nova província. Desta vez a expansão geográfica do guarani já
é propiciada pelos mesmos espanhóis, seus criollos e os mestiços.
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| 1629
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Alonso de Aragona escreve uma gramática da língua guarani, que
permanecerá inédita por 350 anos.
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| 1639
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Antonio Ruiz de Montoya publica Tesoro de la lengua Guaraní, o primeiro
dicionário Guarani-Castelhano.
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| 1640
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Antonio Ruiz de Montoya publica Arte y Vocabulario de la lengua
Guaraní, que inclui a gramática guarani e um dicionário
Castelhano-Guarani; e também outro livro, o Catecismo de la lengua
Guaraní.
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| 1721
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Inicia-se a sublevação dos Comuns, que durará até 1735, pois embora o
movimento (do povo contra os abusos e arbitrariedades do absolutismo) foi
originário de outras terras, na Província do Paraguai, contra o governador
Diego de los Reyes Balmaceda, significará um grande uso do guarani entre
"os comuns", isto é, o povo.
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| 1727
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Nicolás Yapuguái, um Cacique Guarani, publica Sermones y Exemplos
en lengua Guaraní, impresso na própria Redução jesuítica de São
Francisco Xavier.
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| 1750
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Celebra-se o Tratado de Permuta (de limites) entre a Espanha e Portugal.
Neste Tratado entregam-se a Portugal 7 povos Guarani da margem esquerda do rio
Uruguay, em troca da Colônia de Sacramento (hoje Colônia, Uruguay).
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| 1753
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Indígenas de São João remetem uma carta em guarani ao Governador de
Buenos Aires, expressando a sua rejeição ao Tratado de Permuta.
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| 1756
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Produz-se a Guerra Guaranítica, face à negativa dos Guarani, afetados
pelo Tratado de Permuta, de pertencer aos portugueses. Os Guarani são
vencidos.
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| 1758
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A língua Tupi e a Companhia de Jesus no Brasil sofrem um gravíssimo
prejuízo: o Marquês de Pombal proíbe o ensino e o uso do Tupi, com a
finalidade de acrescentar o domínio do português. Em pleno auge, esta bela
língua é refreada com a força da lei.
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| 1768
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Expulsão da Companhia de Jesus da Província do Paraguai, um fato muito
lamentável para a língua guarani, pois não mais será ensinada,
oficialmente, nos seguintes 200 anos.
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| 1776
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Cria-se o Vice-reinado do Rio da Prata, com sede em Buenos Aires, e a
Província do Paraguai passa, então, a depender dela.
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| 1777
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Assina-se o Tratado de Santo Ildefonso, pelo qual a Espanha recupera os
sete povos perdidos em 1750.
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| 1806
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Neste ano e no seguinte, os ingleses tentam conquistar o Rio da Prata,
ocupando Buenos Aires e Montevidéu. Em contato com eles, os sul-americanos
aprendem a valorizar as suas próprias forças e começam a surgir as idéias
de independência. As tropas paraguaias usam as cores vermelho, branco e azul,
que mais tarde serão as da sua bandeira.
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| 1810
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Em Buenos Aires depõem o Vice Rei, sabendo que tropas francesas atacam a
Espanha, e estabelecem uma Junta que pretende anexar o Paraguai. O General
Manuel Belgrano (de Buenos Aires) escreve a Bernardo Velazco (de Assunção)
uma carta em guarani indicando esse desejo. Acredita-se não haver intenção
avessa nessa carta, Belgrano tão somente queria que as duas províncias do
Vice-Reinado se unissem em uma só.
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| 1811
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O Paraguai proclama a sua independência do governo espanhol, mas,
curiosamente, todos os documentos oficiais seguem sendo escritos em
castelhano. A Junta de Buenos Aires continua insistindo em seus propósitos,
os que o Paraguai não admite sequer considerar.
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| 1840
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Francisco Adolfo de Varnhagen começa uma série de propostas ao governo do
Império do Brasil para que seja restituído o ensino do Tupi, língua que já
entrou em decadência, mas as suas súplicas não são ouvidas.
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| 1841
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Funda-se em Assunção a Academia Literaria, instituição
que promoverá o estudo do castelhano e do latim, deixando inteiramente de
lado o guarani.
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| 1848
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Carlos Antonio López, presidente do Paraguai, ordena substituir os nomes e
sobrenomes Guarani da população, por outros de origem espanhol: outra
cacetada à cultura autóctone.
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| 1865
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Início da Guerra do Paraguai,[2]
que embora aniquilará ao Paraguai, facilitará o renascimento do guarani.
Durante a guerra, o Paraguai transmite segredos militares em guarani, e seu
presidente, Francisco Solano López, o utiliza em todos os seus discursos
oficiais.
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| 1867
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Aparecem numerosas publicações em guarani, alentadas pelo mesmo governo
Paraguaio. Entre elas, as publicações Cabichu'í e Cacique
Lambaré, jornais satíricos impressos em pleno frente de batalha.
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Proposto pelo Marechal Francisco López, um Congreso de Grafía
estabelece novas normas de escritura para o guarani.
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1870
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Finaliza a Guerra Grande com a morte do Marechal López, e se reinicia a
guerra contra o guarani, "a língua selvagem", proibindo-se o seu
uso nas escolas. Aqueles que o usam são qualificados de
"guarangos", e sujeitos a penalidades sociais. O guarani pasará a
ser, novamente, uma língua oral.
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1914
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Kurt Unkel publica na Alemanha um conjunto de mitos e legendas que lhe
foram narrados pelos Guarani. Muito tempo depois (1978) será reeditado em
Lima com o título Los mitos de Creación y de Destrucción del mundo.
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| 1915
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Alfonso de Lima Barreto (1881-1922) publica no Brasil a sua novela O
Triste Fim de Policarpo Quaresma, onde a personagem, em plena loucura,
implora a seus contemporâneos abandonar o português em favor do Tupi.
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| 1921
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Narciso R. Colmán ("Rosicrán") publica Ñande Îpî cuera
(Ñande Ypy kuéra, Nossos Antepassados), com um subtítulo bem
explicativo: "Poema etnogenético y mitológico. Protohistoria de la
raza guaraní, seguida de un estudio etimológico de los mitos, nombres y
voces empleadas". Esta obra será tida como de origem Guarani, mas
investigações ulteriores demonstrarão que tais "mitos" são meras
fantasias do autor, e que não condizem com a cultura dos Guarani.
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| 1922
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Aparece a revista Ocara potî cue mi (Okára potykuemi,
Pequenas flores silvestres), que será muito famosa no âmbito rural, por
transmitir poesias e letras da música popular em guarani.
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| 1925
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A língua pré-colombiana volta a juntar forças, desta vez com o teatro de
Julio Correa, grande dramaturgo do "jopará" (mistura do guarani com
um espanhol mal falado).
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| 1928
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Ludwig Schwennhagen, historiador de origem austríaco, publica no Brasil,
sua Antiga História do Brasil - De 1100 a.C. a 1500 d.C., produto de
uma profunda investigação que a história oficial não considerará até
fins do século XX. Nesta obra conclui-se que os fenícios estiveram na
América do Sul muito antes da era cristã.
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| 1930
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O Chefe da Polícia de Assunção, José C. Meza, emite uma ordem escrita
com a qual proíbe, a todo o pessoal da polícia falar guarani dentro das
dependências policiais.
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| 1932
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Outra guerra castiga o Paraguai, a do Chaco, desta vez vinda da Bolívia,
até 1935. Novamente o guarani mantêm unidos aos soldados paraguaios, com uma
grande produção poética que relata esta desgraça.
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| 1941
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Nasce no Paraguai Cultura Guarani, que mais tarde será a Academia
de Língua e Cultura Guarani. Um tempo depois perderá autoridade e logo
mais ficará no esquecimento, pela improdutividade de seus membros.
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| 1946
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León Cadogan dá forma escrita ao Ayvu Rapyta (Fundamentos
da Palavra), um conjunto de poemas religiosos e míticos de ignorada
datação, porém estimada em muitos séculos.
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| 1950
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Anselmo Jover Peralta e Tomás Osuna publicam o seu Diccionario
Guaraní - Español y Español - Guaraní, encarregando-se, o primero
deles, em compilar e completar o vocabulário que deixou Osuna à sua morte em
1941, além de adicionar apêndices, gramatical e toponímico.
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Em Montevidéu, o Congresso da Língua Guarani estabelece uma nova
grafia para esta língua, com delegados de Argentina, Brasil, Bolívia,
Paraguai e Uruguai.
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Funda-se em Assunção a Asociación de Escritores Guaraníes.
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1955
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O presidente brasileiro, João Fernandes Campos Café Filho, instaura a
obrigatoriedade de incluir um curso de Tupi nas carreiras de Letras de todas
as universidades do Brasil, quando esta língua já está se esvaindo no
esquecimento.
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1956
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O Padre Antonio Guasch publica El Idioma Guaraní, uma
completa gramática desta língua, e seu Diccionario Castellano - Guaraní
y Guaraní - Castellano.
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| 1960
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Antonio Ortiz Mayans publica seu Gran Diccionario Castellano - Guaraní
y Guaraní - Castellano, sem respeitar a nova grafia.
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| 1962
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Cria-se em Assunção o Instituto de Lingüística Guaraní.
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| 1967
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A Constituição Nacional do Paraguai já menciona desta vez a existência
do guarani, mas "la lengua oficial es la española" (artigo
5), fazendo uma tímida sugestão quanto à sua difusão (artigo 92).
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| 1970
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O Ministério de Educação do Paraguai cria a Secretaría de Lengua
y Cultura Guaraní.
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| 1971
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Cria-se também o curso de Língua Guarani no Instituto Superior de
Línguas, dependente da Faculdade de Filosofia da Universidade Nacional de
Assunção.
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| 1981
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Tadeo Zarratea publica Kalaíto Pombéro, a primeira novela
escrita em guarani.
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| 1981
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O Decreto Nº 38.454 do Governo Paraguaio, em seu artigo 2, falando da
educação primária, menciona que "el niño [...] desarrolle sus
facultades básicas de escuchar, hablar, leer y escribir en lengua española;
escuchar y hablar en lengua guaraní". Ao menos, já podia ouvi-lo e
falá-lo sem ser penalizado.
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| 1984
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A Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de Assunção inclui o
guarani como matéria obrigatória.
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| 1989
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Apoiada pela Constitução Federal do Brasil de1988, que otorga às
sociedades indígenas o direito ao uso de suas línguas maternas, a Constituição
do Estado de Santa Catarina estabelece "O ensino fundamental regular
será ministrado em Língua Portuguesa, assegurada às comunidades indígenas
também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de
aprendizagem" (Artigo 164, parágrafo 2). Isto supõe uma educação
bilíngüe, com sistemas diferenciados, se bem é aplicável somente às
comunidades indígenas.
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| 1992
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A Casa de las Américas estabelece um "Premio
Extraordinario de Literaturas Indígenas" (náhuatl, guarani e
quetchua), pelos 500 anos da conquista.
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Elabora-se uma nova Constituição Nacional no Paraguai e é
publicada em espanhol e guarani. Nela se estabelece a obrigatoriedade da
educação bilíngüe, em espanhol e em guarani (artigo 77), e reconhece-se
formalmente que o guarani é língua oficial do Paraguai no mesmo nível que o
idioma espanhol (artigo 140).
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1993
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O Ministério da Educação do Paraguai cria a Comissão Nacional de
Bilingüismo, para a educação bilíngüe em todos os níveis.
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1994
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Inicia-se o Programa de Educação Bilíngüe no Paraguai, para o
primeiro ciclo do nível primário. Gradualmente, irá implementando-se ano
após ano.
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O Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro aprova uma
recomendação de que o Tupi (nestas alturas, uma língua morta) fosse
incluído no ensino do segundo grau. Não se fará, pela falta de professores.
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1995
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Wolf Lustig publica em Internet, da Alemanha Guarani Ñanduti Rogue
(Página Guarani da Rede), o primeiro sítio da Internet sobre o idioma
guarani e da cultura do seu entorno.
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1997
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Começa um auge extraordinário de publicações em guarani e sobre o
guarani (poesias, narrações, ditados, dicionários, gramáticas, métodos de
aprendizado, etc.). Lamentavelmente, nesta avalanche nota-se muito o uso do
"jopará".
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| 1998
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Eduardo Navarro, da Universidade de São Paulo (a única que ensina Tupi),
funda a organização Tupi Aqui, com a que pretende formar professores
da língua Tupi, para incluí-la como matéria opcional, nas escolas do Estado
de São Paulo.
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Eduardo Navarro publica Método Moderno de Tupi Antigo e depois Poemas
- Lírica Portuguesa e Tupi de José de Anchieta, com o sublime intento de
reviver a língua Tupi.
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2000
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Levantamos os nossos copos para honrar os 5.000 anos da História
Tupi-Guarani na América do Sul, almejando que, deste vez, pelo menos o
Guarani fique definitivamente triunfante na terra dos homens que a cultivaram
suficientemente para mantê-la viva, a pesar das dificuldades, nem que seja na
oralidade. ¡Saúde!
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